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Especialistas #5 – Entrevista com Camila Porto

Convidamos Camila Porto, especialista em Marketing no Facebook, para falar um pouco sobre sua trajetória, a influência do Facebook no faturamento das empresas e algumas estratégias para utilizar melhor o Facebook para o seu negócio.

Já faz alguns anos que o Facebook faz parte da vida de uma grande parte de pessoas no planeta: são 1,5 bilhão de usuários ao redor do mundo e, no Brasil, 89 milhões – quase metade da população brasileira.

E o que surgiu como um passatempo se tornou muito mais do que isso: hoje, as pessoas usam o Facebook para se comunicarem, criar eventos, atualizarem-se sobre o que ocorre no mundo, expressarem suas opiniões… e até comprarem e consumirem produtos e serviços.

Mas mesmo o Facebook já tendo entrado de vez no processo de compra, muitas empresas ainda não sabem como utilizá-lo adequadamente para fazer negócio. São poucos os profissionais que dominam esta ferramenta de forma profissional, tirando o melhor proveito dela para vender mais – e melhor.

Por isso, a Resultados Digitais convidou Camila Porto, especialista em Marketing no Facebook, para falar um pouco sobre sua trajetória, a influência do Facebook no faturamento das empresas e algumas estratégias para utilizar melhor o Facebook para o seu negócio.

Leia abaixo a transcrição da entrevista que fizemos e veja como aproveitar o Facebook da sua empresa para gerar resultados!

entrevista sobre marketing no facebook com camila porto

Qual sua trajetória em marketing? O que você fez para se tornar uma profissional de mídias sociais?

Basicamente, a minha trajetória com internet é bem improvável. Era pouco provável que eu iria seguir esse caminho, já que, onde eu nasci, no interior de Santa Catarina, até hoje a gente tem bastante dificuldade de ter acesso a internet. Eu fui ter acesso à internet quando eu tinha 18 anos e vim morar em Curitiba para estudar em uma universidade federal.

Chegando em Curitiba, fui ter acesso à internet; naquela época, com 18 anos, eu só queria ficar no Orkut e MSN, jamais imaginei que eu iria trabalhar com isso um dia. Dentro da faculdade, eu tive oportunidade de ter meu primeiro trabalho relacionado a internet, em um portal chamado Baixaki. Ele é hoje um dos maiores portais de conteúdo que a gente tem e, em 2008, quando eu entrei, comecei a entender um pouco mais do potencial da internet, de como era possível se comunicar e do quão grande era esse mercado.

Eu lembro que, na época, o fundador do site, que era o Guilherme [Barthel], era também um jovem que começou a empreender e a utilizar a internet para fazer o seu negócio, e construiu um negócio de bastante sucesso. Eu ficava pensando: “Será que tem algum caminho possível aí? Deve ter alguma coisa rolando nessa tal de internet!”.

E conciliou de eu estar trabalhando no Baixaki e de na faculdade eu estar vendo alguns conteúdos sobre marketing. Então comecei a usar um pouquinho do que sabia de internet e de tecnologia que eu aprendi no Baixaki com o que eu estava vendo sobre marketing e comecei a juntar as coisas.

Como eu gostava muito de marketing, eu comecei a estudar sobre isso, e como em 2008 ainda não era todo mundo que estava ligado a isso – nesta época, chegou o Orkut e o Facebook estava chegando também – eu estava num momento bastante interessante para começar a entender um pouco mais desse potencial.

Acabei saindo do Baixaki um tempo depois e fui entrar numa startup de cashback que era o Compra3. Ali, a minha missão era descobrir como é que a gente iria gerar resultado sem grana, pois uma startup, quando está começando, não tem muita grana. A gente tinha que gerar resultado, tinha que fazer acontecer, basicamente usando o que tinha, que na época era Twitter, Orkut e blog.

Foi lá que eu fui ter contato num primeiro momento com o Facebook. Meu chefe tinha voltado de uma rodada de investimentos que teve nos Estados Unidos e falou: “Camila, nos Estados Unidos – isso era 2010 – só se fala em Facebook. Esquece o Twitter, esquece o Orkut, porque esse é o caminho”. E aí, como uma boa funcionária, ouvi meu chefe e comecei a estudar e a entender um pouco mais sobre isso.

Em 2011, comecei a produzir conteúdo, acabei pedindo demissão dessa startup, comecei a empreender e comecei também a ministrar aulas e treinamentos. Foi quando tudo começou e a partir disso foi que eu comecei a empreender e a construir o meu negócio, mas esses pontos iniciais acho que fizeram bastante diferença para que eu pudesse ter a percepção dessa questão da oportunidade.

Então estar na hora certa e no momento certo fez a diferenca pra mim na minha trajetória. De 2011 pra cá, o foco total foi em trabalhar com Facebook, em capacitar pequenas e médias empresas. Eu lembro que, quando eu queria aprender mais sobre Facebook, não tinha muito treinamento ou conteúdo sobre isso. Eu brinco que eu tive que escrever meu próprio livro e gravar meu próprio treinamento, porque não tinha nada sobre isso. Então foi meio que desbravar esse universo. De lá pra cá, acho que deu pra aprender muita coisa, e também compartilhar muita coisa tanto com meus alunos quanto com a galera que me acompanha.

Da onde vinham suas fontes de pesquisa? Eram mais internacionais ou já tinha alguma coisa no Brasil?

Era muito do fazer. Eu sempre fui uma pessoa muito do fazer, e não tinha muitos livros nem muito conteúdo sobre isso. Claro que sempre acompanhei sites de fora, tem vários profissionais que eu sempre acompanhei. Mas quando a gente trata de uma realidade diferente como é o Brasil, a gente precisa adaptar, então é muito do fazer, estar ali no dia a dia entendendo, ouvindo quais são as dificuldades dos empreendedores.

Foi ensinando as pessoas que eu acabei aprendendo mais sobre isso, porque em 2010, 2011 a gente até tinha algumas referências, mas eram bem poucas. Também, naquela época, o Facebook não oferecia tantas coisas como oferece hoje. Quando eu comecei, em 2011, muita gente começou junto. Até a RD, se não me engano, começou nessa época. O blog da Resultados Digitais também era sempre uma referência para mim, e eu sempre estava acompanhando o que estava acontecendo.

O que você recomendaria aos profissionais de mídias sociais que estão começando seus primeiros projetos?

Eu acho que uma coisa que fez bastante diferença para mim foi uma palavra que a gente não ouve muito: consistência. É você fazer todos os dias a mesma coisa, cada dia melhor. Então, muitas pessoas perguntam: “Por que você não fala sobre Instagram, blog etc.?” Eu descobri ao longo do caminho que a consistência vai permitir que você chegue aonde você quiser, então acho que esse é o principal ponto.

Às vezes a gente quer um resultado mais rápido, às vezes cansa ficar vendo todos os dias a mesma coisa. Mas quando você realmente foca em se especializar em alguma coisa, em ser referência em alguma coisa, você tem que estar ali todos os dias aprendendo, fazendo as mesmas coisas, cumprindo com o que você se comprometeu, e eu acredito que a palavra-chave é consistência em primeiro lugar. É você estar ali, todos os dias fazendo a mesma coisa e todos os dias querendo fazer aquela mesma coisa melhor. Para mim é o que fez bastante diferença, tanto que eu nunca arredei o pé de Facebook e, pelo menos por enquanto, não tenho essa pretensão de sair dele.

Como você vê as mídias sociais e o Facebook influenciando no faturamento da empresa?

Hoje, querendo ou não, a internet abriu uma possibilidade gigantesca para as pequenas empresas, uma janela de oportunidade muito boa que há alguns anos a gente não tinha para quem quisesse promover o seu negócio. Se eu tivesse um negócio há alguns anos, uma das poucas coisas que eu tinha para fazer marketing para o meu negócio era investir em rádio, TV, jornal e outras mídias que são caras dependendo do tamanho da empresa, e às vezes são pouco acessíveis para os pequenos negócios.

A internet vem – especialmente as mídias sociais e todas essas ferramentas – justamente para acabar popularizando, tornando mais acessível paras as pessoas a possibilidade de divulgar o seu negócio. A partir de então, a gente tem ferramentas que são acessíveis e que conseguem mensurar quanto está entrando e quanto está saindo; existem várias possibilidades de mensurar o nosso investimento, e eu acho que essa é a grande mudança que acaba proporcionando oportunidades para as pequenas empresas.

Hoje, há vários canais com os quais você consegue, a partir de qualquer lugar do mundo, conversar com a sua audiência, e você consegue otimizar o seu orçamento ou definir o seu orçamento baseado em quantas pessoas você quer impactar e quem que você quer impactar. Eu acredito que essa é uma grande mudança, uma grande oportunidade que a gente tem quando fala em marketing para pequenos ou médios negócios em relação ao custo e ao potencial de alcance que essas ferramentas acabam oferecendo.

Se por um lado a gente tinha e ainda tem mídias que são mais caras e que acabam pegando uma audiência mais abrangente, hoje, com as mídias sociais, a gente consegue direcionar nossa comunicação exatamente para aquela audiência com a qual a gente quer falar, o que acaba otimizando os nossos recursos e nossa verba para fazer publicidade.

Com seus clientes e em seus cursos, você costuma defender a questão de ter um orçamento mínimo para investir ou não?

Eu acredito que, cada vez mais, ter um orçamento é fundamental, independentemente do tamanho do negócio que você tenha. Muitas pessoas têm a crença de que mídias sociais são gratuitas, e eu acho que esse é o pior tipo de economia que uma pessoa ou negócio pode fazer, que é não querer investir em marketing e em publicidade.

Acho que o pior lugar com o qual você pode tentar economizar é esse, porque foi um dos erros que eu cometi no início. Talvez, se eu não tivesse cometido esse erro, eu poderia estar em uma posição completamente diferente hoje. Talvez o meu negócio estivesse em outro lugar, talvez eu tivesse quebrado [risos]…

Se eu tivesse tido a consciência de que é necessário investir em marketing, investir em plataformas e ferramentas lá no início, eu acho que as coisas teriam sido diferentes. Então hoje, independentemente do tamanho do negócio, dá para fazer publicidade. Quando eu comecei, em 2011, era relativamente fácil você conseguir visibilidade, você promover o seu negócio, porque tinha muito menos concorrência.

Hoje, este universo é cada vez mais competitivo: mais e mais empresas estão usando essas plataformas, e cada vez mais vai ficar difícil você gerar resultado organicamente. Então, independentemente do tamanho de uma empresa, dá para você investir, ter um orçamento, desde que você não gaste onde não deve, e priorize onde gera resultado.

Eu falo paras as pessoas que, com 10 reais por dia, você já consegue fazer uma campanha no Facebook. Hoje, há alunos meus que, com poucos reais, conseguem lotar uma turma de treinamento para cabeleireiro. Outros, com 60 reais, fazem não sei quantos por cento de aumento dos seus pedidos.

Então uma quantidade muito pequena, independentemente de quanto seja, é importante sim para qualquer negócio. Quanto as pessoas dizem: “Eu não tenho dinheiro, eu não tenho como investir”, eu acho que 10 reais por dia é bem acessível, desde que você deixe, talvez, de investir em mídias mais caras que não trazem resultado, e opte por otimizar o seu investimento.

Hoje em dia, qual é o seu maior público? Agências, clientes finais?

O meu público, 90% dele, é de micro e pequenas empresas. É o empreendedor que ou vai fazer ele próprio a parte de gestão do Facebook, ou montar uma equipe que seja pequena, e essa equipe que vai fazer a gestão. Dentro dessa audiência, a gente acaba trazendo também profissionais autônomos, dentistas, médicos, fisioterapeutas, pessoas que trabalham com artesanato…

E temos um público menor, mas que tem muita gente também, que são as agências que querem migrar para esse mundo online, que já faziam trabalhos offline e agora os clientes demandam coisas online.

A gente tem visto cada vez mais casos de pessoas que ou pediram demissão ou jovens que estão na fase de procurar emprego, passam pelo treinamento e depois acabam oferecendo esse tipo de serviço e se transformando em consultores de Facebook marketing ou de Marketing Digital. Uma parcela bem grande dos nossos alunos vem seguindo esse tipo de carreira, passando pelo treinamento e depois oferecendo esse tipo de serviço.

Você considera que trabalhar com Marketing Digital e mídias sociais dispensa a necessidade de ensino superior?

Eu acho que a faculdade acaba trazendo alguns conhecimentos que talvez o dia a dia ou um treinamento mais curto não trazem. Eu fiz pós-graduação em marketing, eu fiz faculdade de comunicação e eu aprendi uma base muito grande, mas há varias coisas que a gente aprende no dia a dia, fazendo, que só o dia a dia traz.

Querendo ou não, a prática traz muito conhecimento para a gente, e eu acredito que são coisas complementares. Então, acho que, se for possível a pessoa ter uma faculdade ou fazer uma pós para complementar a formação dela, é super importante, mas hoje cada vez mais a gente vê as coisas no dia a dia, na prática, porque há muito conteúdo disponível online, muitas pessoas ensinando a partir das suas práticas e das suas vivências o que é possível fazer.

A gente acaba vendo pessoas que acham que sabem trabalhar com Marketing Digital ou que acham que sabem como fazer isso. Em muitos casos, essas pessoas não têm uma visão real da complexidade e de que não é algo tão simples assim, que tem que fazer e gerar resultado.

Mas é claro que tem muita gente que sabe o que está fazendo, e está tentando gerar resultados para seus clientes. Então, é importante que tanto o cara que vai contratar quanto o que vai oferecer estejam cientes que uma coisa não exclui a outra; quanto mais conhecimento você tiver, de preferência prático, melhor para todo mundo.

O Marketing Digital é um segmento com muitos focos. Já que o seu foco são as mídias sociais, como você lida com os outros aspectos que seus clientes e alunos precisam desenvolver? Você indica outros profissionais que focam no que você não foca?

Eu ensino a usar o Facebook. Eu uso o Facebook na minha estratégia do dia a dia, mas também uso vídeos, uso anúncios, uso blog, email, uma série de outras ferramentas, Instagram, plataformas para promover meu negócio. Porque, como dizia minha avó, não dá para colocar todos os ovos dentro da mesma cesta.

Quando eu vejo que há uma necessidade, seja de alguma ferramenta, seja de conhecimento, eu geralmente costumo recomendar produtos de outras pessoas que vão complementar o meu. Isso porque, como eu tendo a trabalhar apenas com Facebook, só ele já tem muito conteúdo, e eu sei que há outros profissionais que são focados em outros assuntos.

Então, eu simplesmente recomendo, seja conteúdo, sejam ferramentas que eu acredito que vão fazer sentido para a pessoa melhorar seu desempenho. Porque o Facebook sozinho gera determinado tipo de resultado, mas se você tiver outras coisas jogando junto com ele, a probabilidade de ter resultado é muito maior.

Você poderia nos dar 2 dicas/quick wins em Facebook para a empresa aplicar no curto prazo e terminar o ano em alta?

Eu acho que a primeira dica seria, se você ainda não criou, criar o seu primeiro anúncio. Veja como funciona e o tipo de resultado que você pode gerar com ele, o que é possível fazer, o quanto ele pode divulgar sua mensagem. Eu acho que essa é uma coisa que muitas pessoas têm medo de investir.

Crie lá o seu primeiro anúncio no Facebook, faça uma campanha do jeito que você acha que é legal, coloque seus primeiros 10 reais lá, veja como isso funciona e comece a identificar quais oportunidades você pode trazer para o seu negócio, para você ver a sensação que é fazer uma campanha sua e começar a rodá-la. Porque é incrível a quantidade de pessoas que não sabe que é possível criar anúncios no Facebook, e mais ainda o fato de que as pessoas não sabem como criar.

A segunda dica para o final de ano é, para quem ainda não fez, fazer uma primeira live no Facebook. Também é um pequeno quick win que você pode ter para ver como é que a ferramenta funciona. Hoje ela é uma das ferramentas que gera mais engajamento no Facebook.

Então, se você tem uma página no Facebook, isso é uma coisa que eu sugiro que você faça rapidamente. Na próxima semana – coloque um prazo para isso – faça a sua primeira live, vá interagir com a sua audiência utilizando este formato. Eu acredito que se você fizer, você vai viciar e vai querer fazer todo o tempo, como eu faço.

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