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De sócio para sócio: como o desconforto se tornou minha motivação

Neste depoimento, o CEO da Nação Digital, Rodrigo Martucci, compartilha sua experiência em sair da zona de conforto para levar a agência ao próximo patamar

Uma coisa fica muito nítida para mim, durante esses anos de experiência à frente da Nação Digital: a minha função muda de 3 em 3 meses, em média. Maluco isso, não?! É extremamente desconfortável.

Quando você se move tanto assim, começa a enxergar os problemas que estão te impedindo de crescer e quer fazer de tudo para superá-los. Coloca sua visão no papel e estuda exatamente o que tem que mudar na estrutura para chegar lá. Feito isso, você trabalha duro para ir conquistando os milestones que vão garantir o seu sucesso.

É nesse momento que o desconforto deve servir como motivação.

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Você não sabe de tudo!

O que acontece é que você não sabe de tudo, principalmente no começo. Isso significa que você vai aprender bastante durante o caminho e ir constantemente ajustando a direção do navio, para ter certeza que irá chegar no destino mapeado.

Geralmente, isso começa com um projeto envolvendo o departamento comercial, afinal trazer dinheiro para dentro da agência é imprescindível para qualquer coisa que você for fazer, seja investir em pessoas talentosas ou viajar para participar de bons eventos.

Esse plano é ótimo e realmente dá certo, porque se tem outra coisa que aprendi é que não existe muito “certo e errado”. Existem caminhos diferentes que te fazem chegar mais rápido ou mais devagar a algum lugar, seja ele o desejado ou não.

O foco é ter a certeza de que você está conseguindo entregar com alta qualidade mesmo com mais clientes. Nesse momento, você passa a trabalhar em um projeto de definição de processos para garantir que a entrega é boa, consistente e replicável, inclusive lembrando que novos colaboradores precisam entrar e rapidamente entregar nesse mesmo nível.

Encontrando novos desafios

Aí você começa a perceber outros problemas/oportunidades e vai trabalhando em cada um deles. De repente, no meio de todas essas trocas de funções e foco, você vai a um evento e escuta uma palestra de um cara que te dá um insight genial para a sua empresa! Aí você volta para casa e abraça esse projeto, muda para essa nova função.

Assim os anos vão passando, e a sua empresa melhorando. A estrutura vai sendo aperfeiçoada e você se sente no controle. Tão no controle que se sente extremamente desconfortável. Lembre-se, você passou anos entrando e saindo da zona de conforto. Isso virou o seu padrão!

Nessa hora, você olha por todos os lados dentro da sua empresa e vê que tudo que poderia ser melhorado já foi feito ou está em andamento, é o momento que você chegou no seu limite. É óbvio que existem milhares de atividades que você poderia estar fazendo melhor, mas você não consegue mais enxergar, porque essas coisas estão além do seu mundo de conhecimento. É nessa hora que você deve parar e estudar muito.

Saia da inércia

Por um tempo, eventos e cursos são fenomenais para sair da inércia, mas, a partir de um momento, parece que tudo fica igual, que você já ouviu aquilo antes e já está fazendo tudo que “esse cara está falando” há tempos.

Foi aí que eu decidi passar uma semana dedicada exclusivamente a visitar e estudar as maiores empresas do Brasil. Sou uma pessoa movida à prática, então me pareceu uma boa oportunidade para me transformar.

Durante essa semana, visitei empresas diretamente ligadas aos nossos planos, como Magazine Luiza, Vivo, Google, Reclame Aqui, PWC, Digital House, entre outras. Foi nessa semana que eu consegui enxergar não só o que estava errado na Nação Digital, mas também como ela poderia melhorar muito a longo prazo. Eu consegui sugar a visão do futuro do Brasil, das pessoas que estão criando esse futuro.

Vou compartilhar alguns dos pontos mais importantes de aprendizado:

1. Humildade

No Magazine Luiza, a Luiza Trajano, presidente do conselho, tem um dos primeiros escritórios que você vê quando chega no andar administrativo. Ele é todo aberto e ao alcance de todos. Nós pedimos para a secretária dela se poderíamos tirar uma foto (não havíamos marcado hora nem nada) e ela pediu para esperarmos.

Depois de alguns minutos, vimos que ela estava muito ocupada e continuamos nossa jornada. Cinco minutos depois ela, a própria Luiza, nos ligou pedindo encarecidamente para que voltássemos para ficar um pouco com ela. Ela pediu mil desculpas por não ter conseguido nos atender e expressou repetidamente o quanto éramos importante para ela.

Fiquei muito impressionado. A Chairman de uma das empresas que eu mais admiro com a humildade de pedir desculpas por simplesmente não ter nos atendido, mesmo sem termos hora marcada. Isso mostra a importância de valorizar as pessoas, independentemente de quem elas são, para o sucesso da empresa.

2. Escalabilidade para serviços

Durante a visita que fizemos à PWC (PricewaterhouseCoopers), eu tive um grande incentivo a continuar acreditando no modelo escalável de serviços. Uma empresa de serviços de inteligência com mais de 250 mil funcionários! Se isso não é escala, não sei o que é.

É óbvio que a empresa tem uma história enorme e que foi baseada em auditoria principalmente fiscal, mas nos prova que existem modelos escaláveis dentro da área de serviços de inteligência e que o caminho é investir em capacitação de equipe, investimento em crescimento e visão a longo prazo.

Empresas como Google, Facebook e Apple nos enganam imensamente porque são exceções que cresceram muito rápido. De um modo geral, empresas de serviço têm um processo bem mais longo de aprimoração e precisamos encarar essa realidade como ela é de verdade.

3. As tendências são realidade

Não é no futuro que o consumidor vai mudar. Ele já mudou e o futuro já aconteceu. A velocidade de adoção de novas tecnologias e experiências está muito além da nossa capacidade de se adaptar a tudo.

Então, não tem como ficarmos por dentro de tudo ou usarmos tudo que existe. Precisamos olhar muito para o que vai afetar o nosso cliente e focar nessas tecnologias, nessas experiências. Fica óbvio que o caminho das empresas vai ser cada vez mais de ajudar a resolver problemas específicos, ao invés de resolver vários problemas de forma genérica.

  1. Cybersecurity

É a área mais subestimada pelas empresas em geral. Não fazemos ideia do estrago que os dados podem trazer às organizações. Pouquíssimas empresas têm áreas dedicadas à segurança virtual ou investem nisso de alguma forma. Informações são retiradas, migradas entre empresas, colaboradores, concorrentes, sem o conhecimento dos principais envolvidos.

O processo é extenso e começa com manutenção dos computadores, autorizações de acesso, configurações de cache, câmeras, estrutura física, muitas das coisas que nós não gostamos de pensar porque não estão diretamente relacionadas à entrada de dinheiro na empresa. Mas são as coisas que podem nos custar muito caro no fim do dia.

5. Relacionamento empresa x colaborador

Fica muito claro para mim que o governo não precisa mais dizer como eu devo tratar um colaborador. Se eu quero atrair e reter os melhores profissionais do Brasil, eu preciso dar as melhores condições para que eles fiquem. Até empresas de varejo, que têm margens muito espremidas estão investindo pesado em treinamento e bem estar do colaborador. A maioria já investiu bastante em propósito e cultura bem definidos.

Se queremos, como empresas de serviço, continuar crescendo, precisamos entender que não é um contra o outro. O sucesso vem da empresa e colaborador com propósitos bem alinhados, onde os dois jogam no mesmo time.

 

Em conclusão, consegui me colocar em uma posição muito mais macro em relação ao futuro da Nação. Consegui retraçar os mapas na direção do navio e fiquei muito mais seguro sobre o destino.

Acredito que esse seja o grande motivo para alguém parar para estudar sobre o seu negócio e o mercado: ampliar drasticamente o seu campo de visão sobre o presente e o futuro. Depois, usar isso para calibrar o navio é a parte natural.

Este guest post foi escrito por Rodrigo Martucci, CEO da Nação Digital.

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