Fortnite: entenda a batalha entre Epic Games, Apple e Google

Mundos virtuais e reais não se separam mais, como mostra essa briga que envolve modelos de negócios virtuais e até uma propaganda histórica


Quando gigantes da tecnologia decidem brigar em modo Battle Royale, o mundo fica de olho para ver quem será a última de pé. Em um caso em que todas devem ficar de pé ao final, pois são bilionárias, a Epic Games declarou guerra ao Google e, principalmente, à Apple por causa das versões mobile do game Fortnite.

A treta envolve muito dinheiro, modelos de negócios online, abuso de poder e até uma releitura de um dos maiores anúncios publicitários de todos os tempos. A essa altura dos acontecimentos o Fortnite está banido da App Store da Apple e do Google Play, enquanto a Epic, por sua vez, está processando as duas big techs.

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Tudo isso em um momento em que Apple e Google – em companhia do Facebook e da Amazon – estão sob escrutínio nos Estados Unidos e na Europa por práticas monopolistas. É quase uma Party Royale para quem acompanha tecnologia e marketing. Falando nisso, assine a nossa newsletter e, depois, continue lendo o post para entender essa confusão.

Epic Games começa o jogo

O primeiro lance da batalha aconteceu quando a Epic incluiu compras de itens dentro do jogo por um sistema próprio, sem passar pelo pagamento dentro do app da Apple e do Google. Isso é terminantemente proibido pelas duas lojas de aplicativos, que cobram 30% em cima de qualquer transação. Os “V-Bucks”, dinheiro virtual do Fortnite usado para comprar skins e outras utilidades ficavam, assim, 20% mais baratos.

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A resposta foi rápida: Apple e Google retiraram o jogo de suas app stores em questão de horas. Quem já tinha o Fortnite instalado, porém, pode continuar suas aventuras normalmente. E são milhões de pessoas em todo o mundo, algo que a Epic certamente levou em consideração ao comprar essa briga.

Além disso, usuários de Android podem fazer o download do app por outros meios, algo impossível para quem usa iPhone. Provavelmente por causa do jeito “exclusivo” da Apple, ela foi o grande alvo da Epic, como veremos a seguir.

#FreeFortnite: paródia traz o 1984 da Apple para 2020

Se alguém achava que a Epic estava para brincadeira, o lance seguinte da disputa tomou proporções… épicas! A empresa de games lançou uma paródia do comercial mais famoso da história da Apple, de 1984, no lançamento do Macintosh. À época, a propaganda atacava o domínio da IBM sobre o mercado e pregava a liberdade do usuário. Deu para entender o ângulo de ataque da criadora do Fortnite?

Relembre o comercial de 1984 da Apple:

E veja o vídeo da Epic, que estava prontinho para a batalha:

Estava lançado o movimento #FreeFortnite, que ganhou força nas redes sociais. Isso porque não foi endossado apenas por jogadores do game, mas por muitos desenvolvedores de aplicativos que há muito tempo criticando a fatia de 30% abocanhada por Apple e Google. Quem está nessa luta também é o Spotify, que lançou a campanha Time to Play Fair em 2019 e também levou a maçã aos tribunais.

A Apple argumenta que cobra esse preço pela manutenção da App Store, e que fez girar 517 bilhões de dólares apenas em 2019. A empresa diz que só pode cobrar sua parte de 61 bilhões desse total – não dá para saber ao certo a cifra exata, já que a sua abocanhada cai para 15% quando a assinatura é anual. Pequenos desenvolvedores reclamam desse tipo de deal, também, acessível apenas a gigantes como a Amazon.

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Fonte: Apple

Os argumentos são bons de todos os lados, o que torna a discussão ainda mais interessante. Com alto valor de mercado e grana para pagar bons advogados, empresas como a Epic Games e Spotify acabam representando as pequenas desenvolvedoras de aplicativos, que formam algo como as torcidas de eventos ao vivo de Fortnite.

Mundos virtuais e reais não se separam mais

Em maio, a Epic Games divulgou que o Fortnite tinha atingido 350 milhões de contas. Ou seja, talvez você não jogue, mas muita gente joga. E a essa altura você já deve saber que jogos eletrônicos também coisa de gente grande. Por isso, essa briga não é uma realidade distante, já que mundos virtuais e reais cada vez mais se cruzam, ainda mais em tempos de pandemia. Portanto, temos que entender o que está acontecendo.

A Epic diz que sua luta não é para reduzir a porcentagem que fica com os bigtechs, mas que quer mais um jogo mais limpo para desenvolvedores e consumidores. A história da empresa corrobora: também com o Fortnite, ela também liderou a guerra em 2017 para que a Sony liberasse partidas entre plataformas diferentes. Hoje, é relativamente comum jogos em que donos de PlayStation, Xbox, Nintendo Switch e PC podem duelar.

Além disso, ao tentar retomar o controle de seus próprios ganhos, a Epic dá coro a um discurso bem importante para quem trabalha com Marketing Digital. Nós, aqui na RD, falamos sempre sobre isso para nossos clientes, parceiros e leitores: seja dono de seus próprios ambientes digitais.

Em outras palavras, tenha um site e não entregue seu conteúdo para Facebook, Instagram e outras redes em que o algoritmo pode fazer você desaparecer. Claro, não é a mesma coisa em termos de complexidade tecnológica, e muito menos de grana envolvida, mas a lógica de ser dono do próprio nariz é a mesma.

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