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Olhar criativo, um jeito inovador de olhar o mundo – lições da palestra de Rosana Hermann #RDSummit

Em sua palestra no RD Summit 2017, a escritora afirma que não é preciso reinventar a roda para ser inovador; basta olhar as coisas sob uma ótica diferente.

Atualmente, estamos tão imersos no mundo digital que nosso olhar fica “viciado”, muitas vezes incapaz de nos ajudar a exercermos nossa criatividade. É sobre isso que falou Rosana Hermann, escritora e roteirista, em sua palestra no RD Summit 2017, com o título de Olhar criativo, um jeito inovador de olhar o mundo.

Rosana começou sua palestra sugerindo que parássemos para refletir sobre o significado de digital; a palavra vem de dedo e número, pois desde sempre o ser humano usou os dedos para contar os números. E o mundo digital nada mais é do que números: um universo de 0s e 1s que se combinam para transportar informação para todos os lados.

E, estando imersos nesse universo de 0s e 1s, paramos de de nos questionar sobre as possibilidades que ele nos traz, ou seja, paramos de ser criativos. E isso é um grande erro, pois a internet nos trouxe uma possibilidade enorme para a criatividade.

Por exemplo, ela nos trouxe a possibilidade de vermos um pouco mais das coisas como elas realmente são.

Se antes a informação era gerada praticamente numa via de mão única, dos produtores de conteúdo para a audiência, hoje o público tem muito mais poder de gerar essa informação. A exposição já não é mais necessariamente mediada por aqueles que detém o “poder” da informação: esse poder está ao alcance de todos, o que nos possibilita ver muito mais coisas “como elas são” e enxergar o padrão da irrealidade com que consumíamos o conteúdo – mesmo que saibamos que mesmo a produção de conteúdo massificada ainda representa apenas uma faceta da realidade.

Imagine que muitas das ferramentas físicas que usávamos hoje se transformaram em aplicativos que estão ao alcance das nossas mãos. E é impressionante a quantidade de informação que cada vez mais as pessoas têm ao seu alcance, aprendendo a usar os aplicativos tão rapidamente.

A mudança é tanta que nossa cultura passou a ser uma cultura digital: as relações humanas são intermediadas pela tecnologia, e as mudanças ocorrem em uma velocidade cada vez maior. Nossa linguagem também mudou: voltamos até mesmo a utilizar símbolos para representar reações em nossos textos, como no caso dos emojis – palavra que inclusive foi eleita o termo do ano de 2015 pelo dicionário Oxford.

Mas o que significam todas essas mudanças?

Significam que devemos nos “conformar” a elas; mas não no sentido de aceitá-las de toda e qualquer forma, mas sim as recebermos de forma proveitosa e nos adaptarmos a elas da forma mais produtiva possível.

Se o mundo digital está aí, por que não aproveitá-lo da melhor forma possível, para exercer nossa criatividade?

É um ciclo: devemos aceitar esse novo mundo para exercermos nossa criatividade, e nossa criatividade será exercida quando nos moldarmos a esse novo mundo. Ele é feito de fluxos, cada vez mais líquidos, e assim devemos tentar ser também, pensando sempre “fora da caixa”.

Esse termo, aliás, não é muito agradável a Rosana pois, para ela, a “caixa” não existe. Somos nós que a criamos em nossas cabeças, sempre limitando nossa criatividade àquilo que é óbvio. E a criatividade só virá quando enxergarmos as coisas por outro ângulo, e questionarmos sempre.

O questionamento contínuo, aliás, é o que Rosana defende como uma forma de nos tornarmos criativos: se você sempre se questionar, achará os problemas e as possíveis soluções para os problemas que se apresentam. Em outras palavras: se algo não tem lógica para você nesse novo mundo, busque conhecer processos. Por trás de novas técnicas e ferramentas, há também uma nova forma de ver o mundo. Enquanto você estiver fixo em uma ideia, perderá a possibilidade de ver outras soluções para o seu problema.

Ao concluir sua apresentação, Rosana nos deu algumas dicas finais para exercermos nossa criatividade: adote uma postura destemida, não tenha medo do novo, lembre que todo aprendizado é patrimônio (mesmo os erros), tenha espírito hacker (de cortar caminhos para chegar a soluções) e não tente recriar as coisas do zero – apenas olhe-as sob um novo ângulo.

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