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Acessibilidade digital: como produzir conteúdo para todo mundo

Confira as dicas de conteúdo acessível do Movimento Web para Todos; Simone Freire, a idealizadora do movimento, será uma das palestrantes do RD Summit 2019

O Movimento Web para Todos foi idealizado em 2017 pela empreendedora Simone Freire, fundadora da Espiral Interativa, agência especializada em causas sociais, em parceria com o W3C Brasil, consórcio internacional que desenvolve padrões para a Web em todo o mundo. Também teve o apoio de diversas organizações transformadoras que abraçaram a causa conosco.

Seu objetivo é romper as barreiras de acessibilidade digital para transformar a web brasileira em um ambiente inclusivo para todos. A proposta é fazer isso a partir da ação conjunta entre organizações, desenvolvedores e pessoas com deficiência.

Um dos pilares de mobilização do movimento é a criação de conteúdo informativo sobre acessibilidade digital para a construção de um ecossistema digital mais acessível, que será um dos temas da palestra do RD Summit 2019!

E para já ir aquecendo para a palestra sobre o Movimento, convidamos Simone Freire para compartilhar algumas dicas sobre acessibilidade para criadores de conteúdo.

Como se comunicar com mais de 45 milhões de brasileiros?

Já parou para pensar como um cego consome o conteúdo que você produz no seu blog? Ou como um surdo que se comunica por Libras (Língua Brasileira de Sinais) compreende o vídeo que você postou no seu canal no YouTube? Provavelmente, isso nunca deve ter passado pela sua cabeça. E é justamente contigo que eu quero conversar.

Existem 45 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência, segundo dados do IBGE (censo de 2010). Enquadram-se nessa população pessoas com mobilidade reduzida e deficiências físicas severas, pessoas surdas e com baixa audição, pessoas cegas, com baixa visão e daltônicos -além de uma série de outras deficiências, como intelectuais, cognitivas e múltiplas.

O que são tecnologias assistivas?

Na prática, dependendo do tipo de limitação que possuem, essas pessoas utilizam tecnologias assistivas variadas para executarem tarefas. Elas vão das mais simples às mais complexas em seu dia a dia, inclusive no mundo digital.

Cegos, por exemplo, navegam por meio de softwares leitores de tela, que “narram” o conteúdo da página para eles. Já as pessoas surdas, que utilizam Libras como seu primeiro idioma, geralmente têm dificuldade de compreender o português.

E, por essa razão, é importante o conteúdo estar disponível também em língua de sinais, por meio de avatares baseados em inteligência artificial ou intérpretes humanos. Pessoas com limitações motoras severas, como tetraplégicos, navegam pela boca, pelos olhos ou por comandos de voz.

Agora, imagine a dificuldade desse público ao se deparar com uma realidade em que apenas 5% das páginas da web brasileiras são acessíveis para eles. Comprar online, estudar, paquerar e ler um post em um blog são tarefas praticamente inviáveis para muitas dessas pessoas com deficiência.

Isso acontece, principalmente, porque quem trabalha com Marketing Digital (conteudistas, designers e desenvolvedores) não considera essa grande parcela da população como persona em seus projetos.

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Dicas para criação de conteúdo acessível

Bora começar a mudar essa realidade iniciando pela forma como você produz os seus conteúdos? A seguir, listo algumas dicas simples que ajudarão o seu conteúdo informativo a ser mais fácil de ser interpretado por tecnologias como os leitores de tela e avatares, além de facilitarem imensamente a comunicação com pessoas com deficiências cognitivas.

Prefira escrever na ordem direta: isso auxilia a interpretação dos avatares de Libras e, principalmente, a compreensão por parte de pessoas com dislexia e com baixo letramento, por exemplo;

Evite figuras de linguagem como, por exemplo, “passei a tarde presa no trânsito”: o uso é péssimo para a interpretação dos avatares e podem afligir pessoas com autismo;

Descreva as imagens informativas: isso é essencial para a navegação dos cegos. Descreva sempre mapas, fotos, tabelas, ilustrações, gifs e outros conteúdos que tiverem valor informativo. Use também as hashtags inclusivas #PraCegoVer e #PraTodosVerem antes da descrição nas redes sociais – elas reforçam um movimento nacional importante pela comunicação inclusiva para as pessoas com deficiência visual;

Na produção de um conteúdo em vídeo, lembre-se de: inserir legendas, Libras e audiodescrição (essencial para que o cego tenha acesso ao conteúdo que não é falado no vídeo);

Em podcasts, valem as premissas de acessibilidade para os surdos: a transcrição (para os que compreendem o português) e Libras a partir da transcrição (para os que só se comunicam por língua de sinais). Cuidado também com o tipo e altura do som das vinhetas em seus podcasts, pois isso pode gerar um transtorno para os autistas.

Claro que a produção de texto acessível é uma pequena, porém importante, parte no processo de acessibilização da comunicação digital para pessoas com deficiência. A mudança pela inclusão precisa começar! E você é essencial nesse processo.

Conheça o Movimento Web para Todos

Se estiver a fim de conhecer mais e se aprofundar no tema, acesse a plataforma do Movimento Web para Todos, iniciativa idealizada por mim em parceria com muita gente disposta a protagonizar essa transformação social! Lá, você também encontrará dicas úteis sobre design e programação acessível, além de depoimentos de pessoas com deficiência e sua relação com a web.

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